Todo domingo o ritual era o mesmo.
- Levanta menininha!
Eu tomava café na sala mesmo. Antes da corrida começar ele já fazia os seus comentários, me dava algumas explicações básicas e já cantava o favorito para a prova, quase sempre, o mesmo.
Com o tempo, ele já não me explicava mais muita coisa. O momento do café passou a ser um bate-papo, eu comecei também a fazer minhas previsões.
Algumas vezes, uma delas inesquecível, acordávamos de madrugada. Eu nem reclamava, pelo contrário, aguardava ansiosa. Foi assim que meus domingos ganharam um ar de velocidade e emoção. Até o dia em que o domingo virou luto. Era dia 01 de maio de 1994. O dia em que o homem mais forte que eu conhecia chorou, e eu chorei com ele.
Essa semana voltei no tempo. Me vi ali, sentada no sofá da minha casa, tomando meu café e esperando a corrida começar. Conseguia ouvir meu pai descrevendo cada cena que passava. Mas eu sabia que a sala não era a mesma, meu pai não estava ali, e o piloto também não. Chorei mais uma vez.
Documentário: Senna. O brasileiro. O herói. O campeão.







