quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Lembranças de domingo

Todo domingo o ritual era o mesmo. 
- Levanta menininha!
Eu tomava café na sala mesmo. Antes da corrida começar ele já fazia os seus comentários, me dava algumas explicações básicas e já cantava o favorito para a prova, quase sempre, o mesmo.
Com o tempo, ele já não me explicava mais muita coisa. O momento do café passou a ser um bate-papo, eu comecei também a fazer minhas previsões. 

Algumas vezes, uma delas inesquecível, acordávamos de madrugada. Eu nem reclamava, pelo contrário, aguardava ansiosa. Foi assim que meus domingos ganharam um ar de velocidade e emoção. Até o dia em que o domingo virou luto. Era dia 01 de maio de 1994. O dia em que o homem mais forte que eu conhecia chorou, e eu chorei com ele. 

Essa semana voltei no tempo. Me vi ali, sentada no sofá da minha casa, tomando meu café e esperando a corrida começar. Conseguia ouvir meu pai descrevendo cada cena que passava. Mas eu sabia que a sala não era a mesma, meu pai não estava ali, e o piloto também não. Chorei mais uma vez.

Documentário: Senna. O brasileiro. O herói. O campeão.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Lusa está de volta e as lembranças também

Eu não poderia deixar de comentar sobre a volta da Lusa à elite do futebol brasileiro. Sempre tive simpatia pelo time do Canindé e há mais de um ano tenho convivido com um torcedor apaixonado pelo clube lusitano, por isso Zeca Marques este post não é só uma homenagem à Lusa, mas também a você. 

Para que entendam minha simpatia pela Lusa vou ter que voltar um pouco no tempo. Durante a minha infância fui muitas vezes a São Paulo visitar minha família, mais especificamente, meu tio, minha tia e minhas primas. Como eles viviam na zona norte da capital paulista, variadas vezes passávamos nas proximidades do estádio do Canindé. Na época eu ainda não conhecia nenhum grande estádio brasileiro, minha referência de estádio estava restrita ao discreto Estádio Cláudio Rodante (Fernandópolis) - mas que fique claro, tenho muito carinho por estas arquibancadas. 
Enfim, as indas e vindas pela marginal Tietê me aproximaram do estádio do clube português. E foi assim que ele tornou-se o primeiro estádio de futebol que conheci. Depois de tantas piadas em relação a estádio, Zeca Marques deve estar surpreso neste momento, mas é pura verdade. Meus olhos de criança brilhavam quando chegávamos perto do estádio. Sempre tive vontade de entrar, mas nunca tive uma oportunidade. 

Por essas e outras, tenho que confessar. Muito bom ter a Lusa de volta entre nós! Seja bem vinda "Barcelusa". 

Estádio do Canindé


                                                                                Foto: almalusa.net

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eles juram amor à pátria e pouco recebem em troca

                                                                     Foto: Hector Guerrero/AFP

Sim, há mais de um mês não apareço por aqui, confesso que ainda tenho uma certa dificuldade em manter um blog atualizado toda semana, mas eu chego lá.
O que me motiva desta vez a escrever está diretamente relacionado aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Estou acompanhando diariamente a cobertura dos Jogos pela TV e pela internet e desde o início percebo o quanto se fala em medalhas, bons rendimentos, promessas, recorde, etc. Mas quem são esses atletas, que com tanto orgulho juram amor à pátria Brasil? Alguns são mais conhecidos, como César Cielo, Hugo Hoyama, mas e a grande maioria? Quais foram seus reais desafios antes de chegarem ao México?

Vou usar apenas um exemplo, mas que serve para todos os outros. Angélica Kvieczynski, atleta da ginástica rítmica que conquistou 4 medalhas nestes Jogos Pan Americanos. O que sabemos sobre ela? Quantos anos ela precisou se dedicar à ginástica para conquistar essas medalhas? De onde veio o incentivo? Do governo ou da família? Mesmo César Cielo, para ser reconhecido ele só precisou ser o melhor do mundo, só isso. E como ele chegou lá? Ele recebeu algum incentivo significante do governo ou seus pais que o apoiaram desde a infância? 

No Brasil o incentivo, o financiamento só existe para esporte de alto rendimento, mas e até lá? Até ser um esportista de ponta, a quem o atleta pode recorrer? A família, aos amigos, poucas pessoas além dessas. Diante dessa triste realidade devíamos estar comemorando não as medalhas que estes atletas estão trazendo, mas o simples fato de estarem competindo em alto nível e representando um país que não os valoriza. 

Temos matéria-prima suficiente para ser uma potência olímpica mundial, mas infelizmente temos uma estrutura política fraca e corrupta, que está ocupada em viabilizar projetos faraônicos e que só vê o esporte de quatro em quatro anos.

Parabéns a todos os atletas que disputam os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e também aos que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres 2012!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Uma semana de raquetadas e enterradas



Nessa última semana deixei o futebol de lado, ali guardadinho no canto da sala e coloquei no centro da mesa o tênis e o basquete. Em relação ao tênis me bateu um saudosismo tremendo. Sim, há alguns bons anos atrás eu joguei tênis, apesar de ter parado de praticar não perdi o prazer em assistir, prova disso foi eu ter ficado até tarde da noite acompanhando os jogos do US Open. Aliás jogos muito bons, intensos seria a melhor palavra. Não tinha assistido ainda um jogo inteiro da Wozniacki, me impressionou seu poder de reação e a sua capacidade de não desistir da partida, mesmo assim acredito que Serena Williams seja a favorita a levar mais uma vez o Grand Slam. Entre os homens, a briga é mais dura. O ano todo torci por Nole, e continuo torcendo, mas a cada partida Roger Federer prova como é brilhante, acredito nele até o fim. Não posso também ignorar a presença de Rafael Nadal, com ou sem câimbras, ele tem um jogo muito forte e possui um excelente preparo físico. Falando em preparo físico, todos os atletas deste torneio estão de parabéns, em pleno verão norte-americano eles parecem superar os limites do corpo, exemplo disso é cena em que Rafael Nadal precisa aumentar os curativos nos pés totalmente destruídos pelo desgaste da partida. 


                                                                                            Foto: AP


Basquete
Depois de um começo não muito animador no Pré-Olímpico das Américas a seleção brasileira provou evolução e comprometimento ontem na bela vitória sobre os argentinos. É um time jovem, mas que busca ser coeso. Splitter não faz uma boa participação, mas é um jogador raçudo e que ajuda muito o time. Hettsheimer, apesar do nome complicado, jogou fácil contra os hermanos, torço para que continue neste mesmo pique. 
É natural que em cada jogo um o outro jogador se destaque mais, o importante é que a equipe mantenha o foco e não se desconcentre. Os esportistas brasileiros tendem a ser emotivos e ansiosos demais. Com tranquilidade e concentração essa equipe tem todas as chances de conquistar essa tão sonhada vaga para as Olimpíadas!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um novo turno e um mesmo campeonato


O primeiro turno do Brasileirão já terminou e estamos a um passo de mais um turno, ou melhor, de um novo turno, acho que é assim que os times devem encarar. 
O Corinthians terminou em primeiro, mas isso não significa nada. Ah, mas e as estatísticas de que nos pontos corridos a maioria dos vencedores do 1º turno levantaram o caneco? Isso só serve para render a discussão nas mesas redondas. Vamos ser práticos, nenhum time se mostrou superior. O que houve foram oscilações dos clubes que estão melhores na tabela, quando um ia bem, outro ia mal, e por ai vai. O Corinthians só se manteve na liderança porque no início do campeonato os outros times ainda estavam se encaixando. 
Enfim, o que esperar desse segundo turno? Pra ser sincera acho que não vai mudar muita coisa não. Inter e Cruzeiro podem se aproximar dos líderes, e o Santos deve ter um melhor aproveitamento, não vejo nada além disso. 
Times previsíveis? Talvez.  


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Falta caldo na cozinha

                                                         Foto: Eduardo Viana (Lancenet)


Depois de ver bem alguns gols da última rodada (16º) do Campeonato Brasileiro ficou nítido pra mim a desordem no setor defensivo dos clubes, o que o diga a zaga corinthiana. Meu Deus, fiquei com vontade de mandar um capacete pra cada um deles, pelo menos iria proteger um pouco da bateção de cabeça. Vergonhoso!

A zaga flamenguista seguiu no mesmo rumo, que bolão deixaram para o Somália, assim fica fácil né! 
Eu não vou ficar aqui falando das zagas do Avaí e do América-MG (as duas piores do campeonato e que dão as últimas posições na tabela aos dois times), mas eu não consigo deixar de comentar sobre a zaga santista. Nesse fim de semana foram mais dois gols, somando agora 22 gols sofridos. Um time que recentemente venceu o maior torneio do continente não poderia estar apresentando um futebol como esse. Me estranha Muricy, reconhecido no futebol como técnico de bom esquema de marcação, não está organizando bem a "cozinha".

Só para que saibam. Entre os 20 clubes da elite do Brasileiro, 11 estão com saldo de gols negativo. Me parece que a coisa ali atrás não tá boa pra muita gente! Pior para os goleiros!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vamos jogar bola

                                                                                       Foto: Reuters

Depois da derrota para a Alemanha nesta quarta-feira a impressão que tenho da seleção de Mano é que sempre falta um fim. A zaga faz bom desarmes, mas em seguida perde a bola, o meio-campo protege e na sequência abre a guarda, os meias lançam, mas a bola fica no meio do caminho, os atacantes recebem a bola na cara do gol e finalizam pra fora. E hoje não foi diferente. Mas mais que concluir, falta a seleção, já diria Xico Sá, jogar bola. No Brasil não se joga futebol, se joga bola. É um pouco desse "jogar bola" que dá ao futebol brasileiro um brilho diferente. Brilho que faltou no time de Mano Menezes. Não brilho de brilhante, brilho de vivacidade. O que se vê são jogadores tensos, preocupados, angustiados. Até mesmo o jogador mais" brilhoso" desse time estava fosco. O Neymar na seleção é de longe o Neymar que se diverte com a bola na Vila Belmiro, que dá risada e que encara o adversário sem compromisso. O Brasil nem comemorar os gols comemorou, aceitou que estava perdendo e ficou por isso mesmo. 

Concordo que um bom esquema tático e bons jogadores sejam fundamentais para se vencer no futebol, mas de que adianta esquemas e jogadores bons se eles não estão em harmonia? Se o clima da equipe é de preocupação? Se os jogadores não parecem estar a vontade no que eles mais gostam de fazer? 

Se esse time é de fato um projeto para 2014, então que ele seja adequado sempre que possível, sem restrições. Precisa ter paciência, é só isso.  Mas vou reiterar, talvez na hora em que a seleção deixar o futebol de lado e optar por jogar bola, o caminho para 2014 possa ficar mais fácil.